Victor ou Victoria: da androginia ao bissexualismo

Posted On Novembro 20, 2007

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Para quem não assistiu, recomendo os dvds. Victor ou Victoria é um clássico. “Na Paris de 1934, Victoria Grant é uma cantora lírica desempregada que conhece Carroll Todd, um cantor homossexual que tinha sido recentemente demitido. Juntos eles articulam um plano, no qual ela se faz passar por um homem, o Conde Victor Grezhinski, e que é um transformista. Mas a farsa corre o perigo de ser desmascarada quando ela se apaixona por King Marchand, um gângster”, como explica a Wiki.

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Tootsie, com o maravilhoso Dustin Hoffman, conta a história de um ator desempregado que decide assumir a identidade de uma mulher para conseguir o papel em uma novela. E consegue. Convence tanto, que ganha uma legião de fãs masculinos.

Esses dois deliciosos filmes só representam um conflito cada vez mais próximo do mundo da moda: a sexualidade traduzida na roupa. O corpo não comunica mais, diretamente, sua opção sexual. Esta, torna-se manifesta pela estética aparente.

O conceito do híbrido vai ao encontro da androginia. A moda, como veículo dessa tendência, leva às passarelas mulheres carregadas de alfaiataria, modelagens amplas, masculinas. Em contraponto, o homem explora o corpo, mostra a sensualidade e ajusta-se em skinnys. O rosa não é mais menina. O azul não é mais menino.

Tom Ford é mestre em explorar a sexualidade. Sempre com conotações eróticas, as propagandas da Era Ford na Gucci exalavam hormônios. dior2.jpg
Se a moda, como a arte, provoca, a ferramenta de provocação em maior evidência é exatamente a desconstrução da libido humana.

Caem os arquétipos e toma espaço uma sociedade baseada na estética, no prazer, na velocidade. Ao mesmo tempo, tanta liberdade de escolhas converte-se em libertinagem. Não se sabe mais se fulano é gay por opção ou influência, se fulana é lésbica por fetiche ou se, como grande parte, a dúvida é tanta que opta-se por não optar.

Assim como a família redefine seus contornos, o indivíduo traça novas perspectivas. O preconceito existe, óbvio. Porém, como filhos de pais ainda casados, casais heteros são cada vez mais raros e menos estáveis. Estabilidade, por sinal, não é o forte dessa geração.

Os emos, tribo urbana que identifica-se com bandas emotional hardcore, sofrem uma forte discriminação por sua declarada opção bissexual. emos.jpg
Como disse, o preconceito existe, ainda. Ainda há choque em uma imagem de Madonna e Britney Spears se beijando. Enquanto isso, a mulher sex symbol da atualidade Angelina Jolie não esconde que, antes do casamento com o também fabuloso Brad Pitt, manteve um duradouro namoro com outra modelo. Ainda é complexo para uma tradição ocidental moralizadora outras formas de manifestação da sexualidade.

A moda incorpora todos esses elementos e explora, de maneira sutil ou hiperbólica, com releituras e adaptações. Por que buscar inspiração em Marlene Dietrich e seu smoking super glamuroso? A primeira mulher a usar calças publicamente, na década de 20, a atriz alemã representava a liberação da mulher, a independência das melindrosas.

A mulher, em contraponto, torna-se mais competitiva. O corpo (ou as intervenções nele) e o que o cobre (roupas, acessórios, etc) são armas numa disputa acirrada. Mesmo independente, de calças, ela ainda preserva seu papel social, acumulando novos. As que libertam-se, criam novas regras de trânsito de relacionamentos, com cruzamentos perigosos, tramas e traições (que acompanhamos diariamente, em nossos círculos sociais).

Não há um mercado que atenda esse novo público: o trans – feminino ou masculino, o homo, o bi ou hipersexual (como eu chamaria os compulsivos). A moda, por mais vanguardista que pareça, ainda considera o corpo como um templo – uma noção clássica de estética. Mudar a forma ‘natural’ desse corpo seria uma profanação. Quebrar tabus, não é tão simples.angelina2.jpg

Acredito que a opção sexual não deva ser mais um aparato da moda. A moda, sim, é uma facilitadora das escolhas, é abrangente. Cada um deve agir de acordo com seus sentimentos, conhecer seu corpo, o que o satisfaz.

Personalidade não é algo entregue numa caixinha, escolhida na vitrine. Senão dirão, daqui a um tempo, que a ‘ditadura fashion’ impôs que seríamos todos vestidos iguaizinhos, pensando igual, agindo igual. Livre arbítrio e respeito! Essa dupla nunca sai de moda.

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